Schneider fala das mudanças educacionais de New Orleans

Tive a oportunidade de participar desse debate, foi muito esclarecedor.

Educação em debate:

O professor, Aron Schneider, da Universidade de Tulane, em New Orleans, nos Estados Unidos, palestrou para diretores e técnicos da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), na tarde desta quarta-feira (13), no auditório Paulo Freire, no Centro Administrativo Fernando Ferrari. Schneider abordou as transformações no sistema educacional de New Orleans após a passagem do furacão Katrina, em 2005. Ele relatou que houve um processo de privatização das escolas públicas, através de parcerias público-privadas. Este movimento representa um refluxo da luta por uma escola pública de qualidade, e multirracial, dos anos 60 e 70.

Schneider explicou que nos Estados Unidos, o financiamento do ensino fundamental e médio fica a cargo dos municípios. Nos anos 60 e 70 a luta dos afro-amnericanos por uma escola integrada e universal resultou na melhoria da qualidade da escola pública na cidade. A partir da década de 80, com a migração da classe média branca para os subúrbios, houve uma redução dos recursos, oriundos de impostos municipais, para financiar a educação. Por outro lado esta classe média passou a construir as suas próprias escolas privadas.

O Furacão Katrina foi um marco na mudança do sistema educacional de New Orleans. 80 % das escolas públicas foram repassadas para a iniciativa privada, através de parcerias publico-privadas. Segundo ele, o processo de privatização resultou na desarticulação do sindicato dos professores e na contratação de educadores recém formados, sem muita experiência. “Paralelamente o Estado passou a exigir das escolas privatizadas a adoção de indicadores para definir a quantidade de recursos públicos repassado para cada escola, o que levou muitas instituições a selecionarem os alunos, excluindo os que mais necessitam de ajuda, que ficam relegados aos 20 % de escolas públicas que sobraram”, contou.

No Estado da Luisiana, onde está New Orleans, foi aprovada uma lei que permite que as corporações criem escolas. As escolas de corporações, também recebem subsídios públicos. A desarticulação da sociedade civil, em decorrência da destruição provocada pelo furacão, dificulta o monitoramento das escolas pela comunidade. Esta situação tem aprofundado a segregação racial e reduz as oportunidades para os afro-americanos.

De acordo com o palestrante, o processo de precarização do trabalho dos profissionais da educação já chegou a o ensino superior. A Universidade de Tulane tem mais de 40 % dos professores contratados de forma precária (contratos temporários, que podem ser rompidos a qualquer momento). “Este quadro compromete a autonomia acadêmica, já que os professores contratados e os que ainda não tem sete anos de trabalho (tempo necessário para atingir a estabilidade) evitam criticar o sistema educacional, para não correr o risco de perder o emprego”, explicou.

Aaron Schneider é professor da Tulane University e já conduziu pesquisas no Brasil, America Central, Índia e África. Em seus trabalhos busca explorar tópicos como os esforços para aprofundar a democracia e gerar subsistências igualitárias dentro de um contexto de integração global.
Fonte: http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/fotos_lista.jsp?PAG=201107&FT=2

Sobre Carlos Susviela

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